TRINTA ANOS DEPOIS, AINDA MARCHAMOS LADO A LADO
TRINTA ANOS DEPOIS, AINDA MARCHAMOS LADO A LADO
 Amadeu Robalinho       2026-09-29 15:22:19

TRINTA ANOS DEPOIS, AINDA MARCHAMOS LADO A LADO

Há momentos na existência em que o tempo deixa de ser mera sucessão de dias e anos e se transforma em instrumento de compreensão: compreensão de quem fomos, de quem nos tornamos e daquilo que, juntos, ajudamos a edificar.

Em 1996, muito jovens oriundos da sociedade civil atravessaram os portões do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Recife, o CPOR/R, para iniciar uma jornada que ultrapassaria, em muito, os limites de uma formação militar. Naquele ano, os Concluintes do Curso da Arma de Engenharia receberam mais do que instrução técnica e militar. Receberam uma tradição a honrar, uma responsabilidade a assumir e um compromisso eterno com a Pátria.

Hoje, três décadas depois, podemos contemplar o passado com a serenidade de quem reconhece a grandeza daquela caminhada.

 "Nós somos os legítimos herdeiros dos heróis de Casa Forte. Em nosso quartel, aprendemos no hoje, a defender a pátria, a conduzir homens, e a ser a voz civil do Exército na sociedade do amanhã!"

A Arma de Engenharia nos ensinou que construir e combater não são conceitos opostos, mas expressões distintas de uma mesma missão. Na guerra, a Engenharia abre caminhos, transpõe obstáculos, lança pontes, estradas, prepara posições, restabelece a mobilidade e cria as condições para que as demais forças cumpram seu dever. Na vida, talvez sua lição mais profunda tenha sido ainda maior: homens também constroem caminhos, vencem obstáculos e erguem pontes que permanecem muito depois de encerrada a marcha.

O CPOR do Recife nos ensinou disciplina, liderança, responsabilidade, camaradagem e espírito de corpo. Ensinou-nos que a autoridade não se resume ao comando, mas nasce, sobretudo, da força do exemplo. Ensinou-nos que liderar é assumir responsabilidade por aqueles que marcham ao nosso lado e que o verdadeiro sentido do serviço reside na disposição de colocar o interesse coletivo acima da conveniência individual.

Trinta anos se passaram.

Vieram as profissões, as famílias, as carreiras, os desafios, as vitórias e as perdas. Cada um seguiu sua trajetória, ocupando diferentes espaços da sociedade brasileira. Alguns permaneceram mais próximos da caserna; outros edificaram suas vidas em distintas áreas profissionais, alguns já não estão mais conosco neste plano terreno. Mas há algo que o tempo não conseguiu dissolver: o vínculo forjado entre homens que compartilharam o mesmo uniforme, o mesmo pátio, os mesmos exercícios, as mesmas dificuldades e os mesmos ideais.

A amizade construída naquela juventude tornou-se patrimônio sagrado de nossas vidas.

E é precisamente por isso que uma turma militar jamais conclui verdadeiramente sua formação. Ela continua viva na memória, nos valores transmitidos às novas gerações e na maneira como cada um de seus integrantes passa a servir à sociedade.

A condição de Oficial da Reserva encerra uma singularidade e uma honra. Somos cidadãos que receberam formação militar e retornaram à sociedade sem jamais abandonar a responsabilidade de servir ao Brasil. Somos, em certo sentido, uma ponte permanente entre a sociedade e as Forças Armadas.

Essa condição adquire significado ainda mais elevado quando compreendemos que a Defesa Nacional não é responsabilidade exclusiva dos quartéis. A soberania de uma Nação também se edifica nas famílias, nas universidades, nas empresas, nos centros de pesquisa, nas instituições públicas, nas infraestruturas críticas e, sobretudo, na consciência de seus cidadãos.

A Engenharia, que foi nossa Arma de formação, continua a representar exatamente essa capacidade de transformar conhecimento em poder nacional.

Construir é defender.

Planejar é antecipar.

Conhecer é preparar-se.

E preparar-se é uma das formas mais concretas de preservar a soberania.

Por isso, celebrar os trinta anos de nossa formatura não significa apenas recordar o ano de 1996. Significa reconhecer que aqueles jovens que ingressaram no CPOR/R receberam uma missão destinada a atravessar décadas: levar à sociedade os valores da disciplina, da responsabilidade, da liderança, do patriotismo, da camaradagem e do compromisso inabalável com o Brasil.

Nossa homenagem é, portanto, também uma expressão de gratidão.

Gratidão a Deus, gratidão aos nossos instrutores e comandantes, que nos ensinaram pelo conhecimento, pela firmeza e pelo exemplo. Gratidão às nossas famílias, que compreenderam ausências, sacrifícios e desafios. Gratidão aos companheiros de turma, que transformaram uma etapa de formação em uma amizade destinada a permanecer por toda a vida.

E, acima de tudo, gratidão ao Exército Brasileiro e ao CPOR/R, por nos terem concedido a honra de servir, aprender e compreender que a defesa da Pátria começa muito antes do campo de batalha: começa na formação do cidadão.

Trinta anos depois, permanecemos unidos pela memória de uma turma, pela honra de uma Arma e pelo compromisso indissolúvel com uma Nação.

Somos a Turma de Engenharia de 1996.

Somos Oficiais da Reserva.

Somos herdeiros do legado do CPOR/R.

E continuamos a carregar conosco a mesma certeza que aprendemos há três décadas: a Pátria se constrói todos os dias, e a soberania de uma Nação jamais pode ser tratada como conquista definitiva.

A Engenharia nos ensinou a abrir caminhos.

A vida nos ensinou a percorrê-los.

E a história nos confiou a nobre responsabilidade de mantê-los abertos para aqueles que virão depois de nós.

Brasil acima de tudo.

Engenharia!

Turma de Engenharia de 1996, CPOR/R.

Trinta anos de história, amizade, serviço e compromisso com a Pátria.

Não vivemos em vão! 

Segundo-Tenente da Arma de Engenharia, 1996

Amadeu Robalinho

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